Pediatras recomendam: moderação com exames de imagem em crianças

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) lançou na última semana uma campanha para conscientizar profissionais da saúde e pais sobre os riscos da exposição desnecessária de crianças e adolescentes na realização de exames de imagem

Na última sexta-feira, 12/10, data em que é comemorado o Dia das Crianças, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) lançou uma campanha para conscientizar sobre a aplicação de exames de raios X, tomografia e ressonância magnética em crianças e adolescentes. A crescente utilização de procedimentos no público infantil acendeu o alerta de especialistas. Segundo dados levantados pela SBP, entre 2008 e 2017, dobrou o número de tomografias computadorizadas em pacientes com até 19 anos. O Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS – base usada para a pesquisa, no no mesmo período, essa faixa etária da população brasileira diminuiu – o que demonstrou o possível uso desmedido desses exames. 

Em São Paulo, os dados apontaram um crescimento de 94% na utilização de tomógrafos – ainda que muito menor se comparado ao aumento de estados como o Espírito Santo (466%); Rio de Janeiro (420%); Acre (351%); Santa Catarina (249%) e Mato Grosso (214%) – o quadro geral é preocupante. Diante desses números, a campanha intitulada Image Gently Brasil – que contou com o apoio da Sociedade Latinoamericana de Radiologia e do Conselho Federal de Medicina (CFM) – pretende chamar a atenção dos profissionais da saúde para o uso adequado de exames que expõem esse público aos efeitos da radiação.

A principal justificativa é que os mais jovens possuem maior sensibilidade aos efeitos da radiação ionizante sobre o corpo, uma vez que estão em desenvolvimento. Segundo a SPB, uma das preocupações é a calibragem adequada dos aparelhos para evitar a emissão de quantidades desnecessárias de radiação para cada paciente. A presidente do Sociedade Brasileira de Pediatria, Luciana Rodrigues enfatizou, na ocasião do lançamento da campanha, que o intuito é que todos os médicos devem atender os pacientes de modo individualizado e que todos os exames de imagem sejam pedidos de maneira racional e crítica. “Nós sabemos que, por se ter um número grande de pacientes ou pelos pais ficarem preocupados, às vezes se pedem exames de maneira excessiva.”, afirmou.

Com isso, o domínio das técnicas radiológicas se faz cada vez mais necessário. O alerta da SBP chama a atenção para o tratamento multidisciplinar. “Além dos pediatras, os radiologistas e outros técnicos envolvidos no processo também devem ser bem orientados”, defendeu a entidade. 

Para saber mais sobre a campanha acesse o site da SBP