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Artigo Novembro Azul – A importância da campanha junto aos profissionais da saúde

Por Bruno Ribeiro Batista, Oncologista Clínico

 

Você sabe como surgiu o Novembro Azul?

O início da campanha ocorreu na Austrália em 2003 e tinha como principal objetivo a conscientização para tumores masculinos, principalmente de próstata e testículo. Entretanto, o intuito da campanha sempre foi englobar a saúde masculina como um todo, incentivando os homens a buscar ajuda por outros problemas, como depressão, fatores de risco para infarto, tabagismo, alcoolismo, entre outros.

Olhando para trás, podemos dizer que todo o esforço dos profissionais de saúde, das sociedades civis e dos próprios indivíduos fez a diferença no sentido de conscientização sobre câncer de próstata. O primeiro dos avanços está justamente nesse texto: mais e mais pessoas buscam informações, seja para a própria saúde ou mesmo para alguém querido. Hoje, também, já conseguimos pronunciar a palavra câncer, palavra que se evitava fortemente, para a qual se criavam apelidos diversos por ser um grande tabu. Isso, por certo, advém de campanhas bem sucedidas.

Mas, como dito, esse deve ser um mês de conscientização para saúde masculina como um todo. Falar sobre câncer de próstata deve ser o chamariz para algo mais importante, que é fazer os homens se preocuparem com a sua própria saúde. Fazer os exames de toque retal e PSA rotineiros não exime o sujeito de outros cuidados necessários, como manter-se no peso ideal, praticar exercícios, ter uma alimentação saudável, não ingerir bebida alcóolica e não fumar. É a falta de cuidado com si mesmo um dos principais causadores da menor expectativa de vida nos homens quando comparado com as mulheres.

Entretanto, toda a história, certamente, nos preparou mal para esse ano de 2020, ano de pandemia por COVID-19. Os profissionais de saúde estão entre os mais acionados para regimes de plantão acima do habitual. Mas é importante que o sacrifício para ajudar outrem não se torne razão para descuidar de si mesmo. Afinal, de que adiantaria todo o trabalho dispendido ajudando a conter o vírus se logo após teremos uma enxurrada de problemas físicos e psicológicos atingindo a nossa classe?

Em números, vemos o câncer de próstata como sendo o tumor mais comum – excetuando-se o de pele não melanoma – com cerca de 66.000 casos somente neste ano no Brasil, segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer). Nos Estado Unidos, são esperados cerca de quase 192.000 casos novos em 2020. E os números tendem a crescer em nosso país, pois estamos vivenciando uma transição demográfica e nos tornando mais velhos. Para comprovar o fenômeno, observamos o aumento anual no número de casos deste tipo de câncer, que é mais comum em homens idosos. Além disso, também observamos aumento na mortalidade por esse tipo de tumor. Esses dados demonstram como o tema é extremamente relevante.

Vale salientar que em países em que a transição demográfica já ocorreu e o sistema de saúde é mais maduro, como na Inglaterra, a mortalidade por câncer de próstata tem caído substancialmente desde o início da década de 90. Fato esse que nos motiva a continuar melhorando nosso acesso à saúde e conscientização para a população e os governantes levem esse assunto a sério.

Por esse motivo que a campanha de Novembro Azul de 2020 tem atenção mais que especial: é um momento ímpar para olharmos para nós mesmos e entender nosso corpo e nossos limites e não deixar que nossa rotina – muitas vezes imposta pelo nosso meio – interfira em nossa saúde e em nosso autocuidado.

 

Referências:

https://www.cancer.net/cancer-types/prostate-cancer/statistics

https://www.scielosp.org/article/csp/2014.v30n3/559-566/en/

https://www.cancerresearchuk.org/health-professional/cancer-statistics/statistics-by-cancer-type/prostate-cancer/mortality#heading-Two

https://www.inca.gov.br/en/node/2706

 

 

*Médico formado pela PUC/PR (prêmio Marcelino Champagnat);
Residência em Clínica Médica e Oncologia Clínica pelo Hospital de Clínicas da UFPR;
Oncologista Clínico no Centro de Oncologia do Paraná;
Mestrando em biomarcadores e terapia personalizada.